📖 Coletânea de Poemas
O Silêncio e a Pena
Publicado em 20/02/2026 17:59 - Autor : Wapinou
Há manhãs em que se procura um abrigo,
Entre o couro curtido e a tinta da noite consigo.
Pierre Damien, o eremita de letras em chamas,
Sabia que o silêncio é uma linguagem que se chama.
Não usava máscara, oferecia suas feridas,
Transformando os espinhos em nobres vestidas.
Ele, o vigia da alma, o poeta esquecido,
Lembra-nos que, no fundo, nada está definido,
A não ser pelo coração e pelo peso da experiência,
Pela força do homem que jamais perde a essência.
Amanhã, levantemos o copo ou a pena,
Pela beleza do gesto, pelo sopro, pela cena.
Pois ao fim do caminho, quando o sistema desmorona,
Só sobra a sombra e o amor que nos responde e entona.
Entre o couro curtido e a tinta da noite consigo.
Pierre Damien, o eremita de letras em chamas,
Sabia que o silêncio é uma linguagem que se chama.
Não usava máscara, oferecia suas feridas,
Transformando os espinhos em nobres vestidas.
Ele, o vigia da alma, o poeta esquecido,
Lembra-nos que, no fundo, nada está definido,
A não ser pelo coração e pelo peso da experiência,
Pela força do homem que jamais perde a essência.
Amanhã, levantemos o copo ou a pena,
Pela beleza do gesto, pelo sopro, pela cena.
Pois ao fim do caminho, quando o sistema desmorona,
Só sobra a sombra e o amor que nos responde e entona.
Santa Aimée
Publicado em 19/02/2026 18:10 - Autor : Wapinou
Amanhã carregará o teu nome
como se carrega uma luz
na palma das mãos.
Aimée.
Uma palavra simples,
e ainda assim vasta como o céu
quando hesita entre a aurora e o silêncio.
Tu não és apenas aquela que é chamada,
és aquela que se escolhe guardar,
aquela que deixa uma marca
sem barulho,
sem brilho inútil.
Há no teu nome
algo terno e forte,
um fio invisível
que liga corações
mesmo quando as distâncias persistem.
Aimée,
é a doçura que não cede,
a fidelidade sem alarde,
a coragem tranquila
de permanecer luz
quando outros se apagam.
Que este dia se pareça contigo:
claro sem arrogância,
forte sem dureza,
simples como uma verdade
que já não precisa ser provada.
E se houver algo a reter,
que seja isto:
ser amada
não é receber,
é irradiar
até que o mundo
não consiga mais fingir
que tu não existes.
como se carrega uma luz
na palma das mãos.
Aimée.
Uma palavra simples,
e ainda assim vasta como o céu
quando hesita entre a aurora e o silêncio.
Tu não és apenas aquela que é chamada,
és aquela que se escolhe guardar,
aquela que deixa uma marca
sem barulho,
sem brilho inútil.
Há no teu nome
algo terno e forte,
um fio invisível
que liga corações
mesmo quando as distâncias persistem.
Aimée,
é a doçura que não cede,
a fidelidade sem alarde,
a coragem tranquila
de permanecer luz
quando outros se apagam.
Que este dia se pareça contigo:
claro sem arrogância,
forte sem dureza,
simples como uma verdade
que já não precisa ser provada.
E se houver algo a reter,
que seja isto:
ser amada
não é receber,
é irradiar
até que o mundo
não consiga mais fingir
que tu não existes.
São Gabin
Publicado em 18/02/2026 17:33 - Autor : Wapinou
Na sombra clara dos dias comuns,
Um nome se ergue, discreto, sem trovões.
Gabin, como um passo dado sem som,
Um coração fiel que atravessa a noite em dom.
Sem coroa de ouro, sem brilho de fama,
Mas retidão gravada na história que chama.
Manter-se firme quando tudo vacila,
Ser luz sem fazer barulho que exila.
São Gabin, força tranquila,
Raiz ancorada na cidade que brilha.
Ele não esmagaa, ele sustenta,
Não promete, ele mantém a crença.
Quando o mundo grita e se dispersa,
Ele escolhe o gesto simples, à inversa:
Uma mão estendida, um olhar verdadeiro,
Uma palavra que repara mais do que magoeiro.
Que este nome se torne caminho,
Não milagre, mas amanhecer sozinho.
Pois a santidade não é brilho,
É permanecer direito… quando se pode, passo a passo.
Um nome se ergue, discreto, sem trovões.
Gabin, como um passo dado sem som,
Um coração fiel que atravessa a noite em dom.
Sem coroa de ouro, sem brilho de fama,
Mas retidão gravada na história que chama.
Manter-se firme quando tudo vacila,
Ser luz sem fazer barulho que exila.
São Gabin, força tranquila,
Raiz ancorada na cidade que brilha.
Ele não esmagaa, ele sustenta,
Não promete, ele mantém a crença.
Quando o mundo grita e se dispersa,
Ele escolhe o gesto simples, à inversa:
Uma mão estendida, um olhar verdadeiro,
Uma palavra que repara mais do que magoeiro.
Que este nome se torne caminho,
Não milagre, mas amanhecer sozinho.
Pois a santidade não é brilho,
É permanecer direito… quando se pode, passo a passo.
A Dama de Marfim
Publicado em 17/02/2026 19:49 - Autor : Wapinou
No segredo das florestas onde o silêncio escuta,
Onde o tempo se apaga e renuncia à sua ruta,
Uma luz desperta no coração dos velhos matagais,
Sopro de cristal preso na sombra do país leal.
Ela avança, soberana, tão leve,
O casco de diamante não ofende a terra que se eleve.
Seu manto é um sudário de neve e claridade,
Um brilho de estrela nua, devolvido à liberdade.
No meio da sua testa, espiral de mistério,
Ergue-se o único chifre, solitário e sério:
Não para brilhar como rainha, mas para cortar a escuridão,
Curar feridas, desfazer o veneno, com precisão.
Dizem que ela adormece no colo dos poetas,
Que foge dos olhares e das vãs conquistas netas.
Ela é o sonho antigo que se pensa ter segurado,
A beleza que permanece e não pode ser alcançado.
Ela passa e se vai, como uma névoa fina,
Deixando atrás de si o cheiro da flor de espinheiro;
E o homem que a vê, na curva de um caminho,
Guarda o ouro de sua alma na palma da mão com carinho.
Onde o tempo se apaga e renuncia à sua ruta,
Uma luz desperta no coração dos velhos matagais,
Sopro de cristal preso na sombra do país leal.
Ela avança, soberana, tão leve,
O casco de diamante não ofende a terra que se eleve.
Seu manto é um sudário de neve e claridade,
Um brilho de estrela nua, devolvido à liberdade.
No meio da sua testa, espiral de mistério,
Ergue-se o único chifre, solitário e sério:
Não para brilhar como rainha, mas para cortar a escuridão,
Curar feridas, desfazer o veneno, com precisão.
Dizem que ela adormece no colo dos poetas,
Que foge dos olhares e das vãs conquistas netas.
Ela é o sonho antigo que se pensa ter segurado,
A beleza que permanece e não pode ser alcançado.
Ela passa e se vai, como uma névoa fina,
Deixando atrás de si o cheiro da flor de espinheiro;
E o homem que a vê, na curva de um caminho,
Guarda o ouro de sua alma na palma da mão com carinho.
O Eco de Lourdes
Publicado em 17/02/2026 19:27 - Autor : Wapinou
Nos Pirenéus, o vento trazia miséria,
Em Lourdes, um "Cachot" velava uma luz com sépia.
Bernadette, criança simples, de mãos rudes e puras,
Cuidava de seus cordeiros no coração das pasturas.
Dezoito vezes o Milagre, no interior da Gruta,
Uma Senhora, Estrela, além da abóbada oculta.
Sem pompa nem trono, uma mensagem de amor,
Sussurrada ao mundo, para todos os dias com ardor.
Ela não era senão um eco, um humilde “instrumento”,
Fugindo da fama, distante do firmamento.
Na sombra de Nevers, seu espírito se apagou,
Mas seu corpo, intacto, ao divino testemunhou.
Santa Bernadette, a alma de um coração simples,
Mostra-nos o caminho, a verdadeira doçura que implica.
Que sua fé nos guie, longe dos vãos brilhos,
Para o amor, a humildade e a paz nestes trilhos.
Em Lourdes, um "Cachot" velava uma luz com sépia.
Bernadette, criança simples, de mãos rudes e puras,
Cuidava de seus cordeiros no coração das pasturas.
Dezoito vezes o Milagre, no interior da Gruta,
Uma Senhora, Estrela, além da abóbada oculta.
Sem pompa nem trono, uma mensagem de amor,
Sussurrada ao mundo, para todos os dias com ardor.
Ela não era senão um eco, um humilde “instrumento”,
Fugindo da fama, distante do firmamento.
Na sombra de Nevers, seu espírito se apagou,
Mas seu corpo, intacto, ao divino testemunhou.
Santa Bernadette, a alma de um coração simples,
Mostra-nos o caminho, a verdadeira doçura que implica.
Que sua fé nos guie, longe dos vãos brilhos,
Para o amor, a humildade e a paz nestes trilhos.
Voyou, o Ronron Que Falta
Publicado em 17/02/2026 15:30 - Autor : Wapinou
Voyou era a sombra que andava sem fazer barulho,
Um sopro de veludo quando a casa dormia no seu caminho.
Elegante, indomável, mas fiel à sua maneira,
Rei sem coroa, discreto, mestre da luz que impera.
Seu olhar, duas faíscas, duas lâminas de mistério,
Que julgavam sem uma palavra… e aqueciam o inverno por inteiro.
Seu ronronar curava, como um motor de calor,
Uma presença tranquila, bem perto do coração e do amor.
Dormia em espiral, no centro da sua paz,
E saltava num salto, como se tudo renascesse em sua vez.
Ele vinha quando queria, com suas leis, seus caprichos,
E às vezes um simples passo dizia: “estou aqui, sem clichês.”
Gato de rua ou príncipe de pelo prateado,
Voyou tornava o cotidiano maior, mais vivo, encantado.
Não pertencia a ninguém, essa era sua verdade…
Mas ele nos escolhia, e isso era sagrado, com lealdade.
E agora que se foi, silencioso, como viveu,
Sua lembrança ainda ronrona, onde se sentou e floresceu.
Para ti, Voyou… pequeno coração livre, amor infinito:
Faz falta. E, no entanto, permaneces em nossas noites, bonito.
Um sopro de veludo quando a casa dormia no seu caminho.
Elegante, indomável, mas fiel à sua maneira,
Rei sem coroa, discreto, mestre da luz que impera.
Seu olhar, duas faíscas, duas lâminas de mistério,
Que julgavam sem uma palavra… e aqueciam o inverno por inteiro.
Seu ronronar curava, como um motor de calor,
Uma presença tranquila, bem perto do coração e do amor.
Dormia em espiral, no centro da sua paz,
E saltava num salto, como se tudo renascesse em sua vez.
Ele vinha quando queria, com suas leis, seus caprichos,
E às vezes um simples passo dizia: “estou aqui, sem clichês.”
Gato de rua ou príncipe de pelo prateado,
Voyou tornava o cotidiano maior, mais vivo, encantado.
Não pertencia a ninguém, essa era sua verdade…
Mas ele nos escolhia, e isso era sagrado, com lealdade.
E agora que se foi, silencioso, como viveu,
Sua lembrança ainda ronrona, onde se sentou e floresceu.
Para ti, Voyou… pequeno coração livre, amor infinito:
Faz falta. E, no entanto, permaneces em nossas noites, bonito.
O Legado do Silêncio
Publicado em 16/02/2026 23:42 - Autor : Wapinou
Ele deixou o brilho pela sombra de um pilar,
Estranho em sua própria casa, ao pé da escada a observar.
Herança dos antigos, filho preso à linhagem,
Escolheu a poeira e a palma gasta da viagem.
Não é ouro que persegue, nem o orgulho das ornamentações,
Mas um canto que atravessa e sobrevive às injúrias e emoções.
Acredita-se que está esmagado sob o peso do destino;
Ele sozinho se mantém, mais vivo que o fim divino.
Mostra suas feridas, seus desastres aparentes,
Não como derrotas, mas como juramentos eloquentes.
Pois a dignidade nua não precisa de disfarce:
Ilumina a sombra e a profundidade do olhar com classe.
Poeta do despojamento, vigia da verdade,
Curas nossas falhas com tua sobriedade.
No vazio do silêncio, longe do ruído dos discursos,
Permaneces testemunha de um percurso mais nobre e seu curso.
Estranho em sua própria casa, ao pé da escada a observar.
Herança dos antigos, filho preso à linhagem,
Escolheu a poeira e a palma gasta da viagem.
Não é ouro que persegue, nem o orgulho das ornamentações,
Mas um canto que atravessa e sobrevive às injúrias e emoções.
Acredita-se que está esmagado sob o peso do destino;
Ele sozinho se mantém, mais vivo que o fim divino.
Mostra suas feridas, seus desastres aparentes,
Não como derrotas, mas como juramentos eloquentes.
Pois a dignidade nua não precisa de disfarce:
Ilumina a sombra e a profundidade do olhar com classe.
Poeta do despojamento, vigia da verdade,
Curas nossas falhas com tua sobriedade.
No vazio do silêncio, longe do ruído dos discursos,
Permaneces testemunha de um percurso mais nobre e seu curso.






FR
EN
PT 





