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📖 Coletânea de Poemas
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Blandine
Publicado em 19/05/2026 20:23 - Autor : Wapinou
Blandine carrega o orgulho das seivas de luz,
Com o olhar afiado pelos ventos da realidade.
Ela caminhou de pé sobre a terra operária,
Sem jamais trocar a alma por um falso céu.

Ela conhece as manhãs em que o ritmo range,
O peso do cansaço e os sonhos silenciados.
Sob a lógica fria onde o sistema desgasta,
Guarda uma chama que nada conseguiu apagar.

Ela rejeita o disfarce e as máscaras de vidro,
Os discursos de vitrine onde tudo soa vazio.
Oferece a sua reserva, a sua verdade inteira,
E o orgulho de um caminho que continua corajoso.

É uma ferida viva por onde a poesia passa,
Um refúgio de carne diante de um mundo de chumbo.
Blandine não se dobra - ocupa o seu espaço,
Unindo a ternura à recusa da afronta.



Justin
Publicado em 19/05/2026 20:19 - Autor : Wapinou
Justin carrega o nome dos justos sem alarde,
Com o olhar afiado pelas sombras da noite.
Ele deixa aos belos faladores o ruído da tempestade,
Para ancorar o seu orgulho na necessidade de enxergar.

Conheceu o esforço, o metal e a cinza,
Essas manhãs de concreto onde a máquina destrói.
Mas não deixou que o sistema o levasse,
Guardando no fundo dos olhos a seiva das suas escolhas.

Recusa o disfarce e a linguagem conveniente,
Os sucessos de vitrine e as falsas aparências.
Oferece sem pudor a sua ferida exposta,
Preferindo a sua dor às mentiras do mundo.

É um pilar na sombra, uma força tranquila,
Que traduz a emoção sem jamais implorar.
Justin segue em frente pelo inferno da cidade,
Unindo a palavra livre à coragem inteira.



O Coração das Mães
Publicado em 19/05/2026 20:05 - Autor : Wapinou
Há mãos discretas que reparam os dias,
Olhares que adivinham os nossos silêncios de amor.
Uma mãe é esse farol no meio das tempestades,
Essa força invisível quando as nossas almas vacilam.

Ela carrega no coração as feridas dos outros,
Transformando a dor em abrigo para quem ama.
Ela conhece o peso das noites sem amanhã,
Mas ainda estende a mão quando o caminho enfraquece.
Na sombra do quotidiano, sem ruído nem coroa,
Ela oferece àqueles que ama aquilo que ela própria renuncia.

Hoje, ergamos os olhos para essas mulheres de luz,
Aquelas que semearam amor no pó da nossa existência.
Que este dia lhes devolva um pouco da ternura
Que, em silêncio, colocaram no fundo de cada coração.

💖 Feliz Dia das Mães a todas as mães, daqui, de longe… e da saudade.



Ferdinand
Publicado em 19/05/2026 19:04 - Autor : Wapinou
Ferdinand tem o passo dos homens de estrutura,
Daqueles que sabem construir quando tudo desaba ao redor.
Traz na fronte uma nobre fissura,
A marca desafiante do tempo e do trabalho.

Conheceu a disciplina, a fábrica e a cadência,
O cálculo desumano que tenta dominar o sangue.
Mas preservou, no coração da sua resistência,
A centelha selvagem e o grito da vida.

Detesta as falsas aparências e o frio ornamento,
Os sorrisos ensaiados e as palavras vazias.
Ferdinand oferece ao mundo a sua própria ferida,
Sem jamais pedir desculpa por amar o grande horizonte.

É um guardião da verdade, um poeta de casca firme,
Que se recusa a dobrar sob o jugo do vazio.
Unindo ternura à força bruta,
Permanece um homem livre, imenso e exigente.



Aymar
Publicado em 19/05/2026 19:00 - Autor : Wapinou
Aymar tem o olhar dos vigias do extremo,
E o passo medido daqueles que já lutaram.
Deixa aos falsos devotos as armadilhas do teorema,
Para ancorar o seu destino na realidade.

Conheceu o frio, a fábrica e a sucata,
Esses mundos sem rosto onde o fôlego é quebrado.
Carrega no coração o gosto da batalha,
E recusa ver a sua honra dividida.

Detesta o disfarce e os grandes discursos artificiais,
As máscaras de virtude que a época compra para si.
Prefere as suas ruínas ao jogo das injustiças,
E caminha sob a tempestade de cabeça erguida.

É um grito de revolta misturado com seiva viva,
Um tradutor do orgulho nas margens do papel.
Aymar segue em frente pelas estradas áridas,
Unindo a força das palavras brutas ao poder do ofício.



Germain
Publicado em 19/05/2026 18:55 - Autor : Wapinou
Germain carrega a marca e o peso dos grandes frios,
A paciência das árvores que desafiam a tempestade.
Não espera que lhe venham ditar os seus direitos,
E atravessa o tempo de cabeça erguida.

É um homem de raízes, um rebelde discreto,
Que gastou as mãos no aço das fábricas.
Sabe o que o mundo exige em arrependimentos,
E como a luz volta a nascer sobre as ruínas.

Recusa o disfarce, as falsas aparências e a multidão,
O desprezo comum e a fria razão.
Deixando aos cortesãos os salões e o espaço,
Prefere o exílio e o grande horizonte.

Há no seu gesto uma nobre retidão,
A tinta da memória e o fogo do ofício.
Germain permanece de pé, apesar da ferida,
Verdadeiro até à raiz, inteiro entre os inteiros.



Augustin
Publicado em 19/05/2026 18:50 - Autor : Wapinou
Augustin traz em si a memória das pedras,
O perfume do velho chumbo e das manhãs frias.
Conheceu o exílio, o vento da fronteira,
E guarda sob a casca um olhar orgulhoso.

As suas mãos têm a cor da terra e do ferro,
Não se ocupa com grandes discursos fúteis.
Cada um dos seus silêncios é um pedaço de carne,
Uma âncora sólida nos terrenos abandonados da cidade.

Viu as máquinas e os sonhos apagarem-se,
Corpos desgastados até ao limite, esmagados pelo sistema.
Mas nunca soube humilhar-se nem lamentar-se,
Encontrando no seu pudor uma lei feroz.

É o guardião discreto das páginas esquecidas,
Um poeta da sombra, de verbo soberano.
Sobre a sua mesa de madeira, as verdades gravadas
Falam do homem de pé que traça o seu caminho.*